Mantenha a fé dos seus filhos acesa!

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“Eu não consigo entender! Durante anos, meu filho recebeu uma educação católica e agora sequer frequenta a Igreja.”

Se eu recebesse um centavo para cada vez que ouvisse um pai ou uma mãe dizer essas palavras, hoje em dia estaria rica! Muitos pais e avós com os quais converso estão inconformados que seus filhos, especialmente os jovens entre 16 e 22 anos de idade, parecem ter abandonado sua fé católica.
Embora eu tenha mais de 40 anos de experiência como professora e catequista, o que me gabarita para oferecer alguns conselhos aos professores, catequistas e também aos pais e avós é o que aprendi a partir da vivência com os próprios jovens. Nada vai garantir que nossos filhos vão permanecer fiéis à sua herança católica; no entanto, existem boas maneiras de se cultivar fé, e também algumas verdades importantes para se manter em mente:

1 – Lembre-se de que o questionamento é normal. É hora de nós, adultos, tentarmos entender que questionar as crenças já estabelecidas faz parte do crescimento. Provavelmente também fizemos o mesmo quando éramos jovens;

2 – Todos nós aprendemos a partir da experiência. Como pais e avós, podemos aproveitar algumas experiências realmente significativas para nossos filhos e netos e convidá-Ios a prestar atenção na grandiosidade daquele momento, ir mais fundo, encontrar um sentido do sagrado na vida cotidiana. Seja esse momento um passe perfeito durante uma partida de futebol, sejam as atividades de férias, as novas
tecnologias ou até mesmo a chegada de um novo irmãozinho. Qualquer coisa que faça a diferença na vida deles. A espiritual idade católica é feita de espanto e admiração, e esses sentimentos, dia após dia, nos direcionam naturalmente à sacramentalidade católica;

3 – Reconhecer que a desconfiança em relação à religião pode ser uma resposta à quantidade de vezes que os jovens foram “traídos” por seus heróis. A mídia costuma cobrir exaustivamente escândalos e reviravoltas na vida de diversos ídolos dos adolescentes, inclusive polêmicas envolvendo a própria Igreja. É compreensível que nossos filhos não confiem automaticamente e nem respeitem os heróis – até mesmo os santos – que lhes apresentamos. Precisamos evitar frases como “Porque a Igreja diz que é assim”, ou “Porque eu digo que sim”. Em vez disso, podemos ajudá-los a entender por que acreditamos no que fazemos e por que amamos nossa Igreja, apesar das suas imperfeições;

4 – Reconhecer que os pais são os adultos mais influentes na vida de uma criança. O exemplo dos pais é a ferramenta mais potente que temos para ajudar a manter Deus e a religião na vida dos filhos. Eu acredito que as discussões sobre fé, sobre a Igreja, adoração e oração, o lugar que Deus ocupa nas questões de moralidade, ética e relacionamentos devem estar inseridos na experiência familiar. Nenhum pai deveria deixar essa tarefa exclusivamente para o professor ou catequista, É importante que os pais contem a própria história de fé para seus filhos, porque elas demonstram a importância de se ter uma relação pessoal com Deus. Em tempos difíceis, transparecer confiança na providência divina é um conforto para a criança e mostra que, mesmo para os adultos, o amor de Deus é palpável;

5 – Não hesite em perguntar para catequistas e para professores as melhores maneiras de se responder a questões religiosas e espirituais. A relação entre pais e a educação religiosa de uma paróquia ou de um colégio deve ter como base a parceria. Os pais devem se sentir livres para buscar ajuda quando os questionamentos começarem a aparecer. Os professores têm experiência nas etapas de desenvolvimento religioso das crianças, por isso, podem ajudar os pais antes mesmo de esses questionamentos surgirem;

6 – Incentivar o papel dos avós na vida do jovem. Os avós têm a vantagem de ter criado o pai de um adolescente e conhecem bem o momento que seus filhos agora vivenciam. Para muitos jovens, os avós são as pessoas que estão mais disponíveis e têm mais tempo para escutar seus anseios a respeito de Deus e da vida. Enquanto os pais muitas vezes estão ocupados com as obrigações do trabalho e de casa, os avós já passaram por tudo isso, e podem contribuir com suas histórias e suas experiências;

7 – Compreender o que significa pertencer à Igreja Católica entre os nossos filhos, especialmente os adolescentes. Religião e Deus são importantes na vida dos jovens, mas eles têm aquela necessidade de pertencer a algum grupo, de estar entre iguais. Apresentá-los ao grupo de jovens da paróquia é uma boa maneira de mostrar que há diversas pessoas como eles, da mesma idade, que frequentam a Igreja e não têm medo ou vergonha de declarar seu amor a Deus.

8 – Não entre em pânico se o adolescente parecer desinteressado em religião. Todos nós passamos, uma hora ou outra, pelo trabalho de animar e preparar os jovens, mostrando-lhes que a Igreja é uma casa onde serão sempre bem-vindos, onde podem trabalhar suas dúvidas e medos, onde poderão, um dia, trazer seus próprios filhos. Nosso dever é manter a porta aberta, continuar rezando e colocar nossos filhos nas mãos de Deus.

Este artigo foi traduzido e adaptado da revista americana Catholic Digest. Tradução e edição: Carla Maria Carreiro
•    Retirado da Revista Ave Maria, ano 114, fevereiro 2013, pág. 44 e 45.

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