Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo

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Em sua audiência geral, na quarta-feira, 8 de novembro o Papa Francisco informou que estaria iniciando uma nova série de catequeses, voltadas ao “coração” da Igreja, isto é, a Eucaristia. Salientou a importância de compreendermos bem o valor e o significado da Santa Missa, e de viver cada vez mais plenamente a nossa relação com Deus.

Em dado momento ele citou alguns momentos específicos da Santa Missa e levantou a seguinte questão: por que fazemos o sinal da cruz e o ato penitencial no início da Missa?  E ainda chamou a atenção para a forma com que se está fazendo o sinal da Cruz, e como estamos ensinando nossas crianças a fazê-lo. “É preciso ensinar bem às crianças a fazer o sinal da cruz. Assim começa a Missa, assim começa a vida, assim começa o dia. Isto significa que somos remidos com a cruz do Senhor. Olhai para as crianças e ensinai-lhes a fazer bem o sinal da cruz”. 

Não há dúvidas de que a cruz nos é importante, que ela nos remete a salvação que nos foi dada por Jesus. São João Paulo II disse que ela é “sinal de um amor sem limites”. No entanto, traçar sobre nós o sinal da cruz, segundo o Catecismo Jovem, é nos colocarmos sob a proteção de Deus que é trino.

“No começo do dia, de uma oração e também de tarefas importantes, o cristão coloca-se sob o “sinal da cruz” e inicia a sua ação em “nome do Pai e do Filho e do Espírito”. A invocação nominal do Deus trino, por quem estamos cercados de todos os lados, santifica as coisas que empreendemos; ela concede-nos a bênção e fortalece-nos nas dificuldades e nas tentações” (YouCat, 360).

No trecho doYouCatque vemos acima percebemos a importância de fazer o sinal da cruz antes de se iniciar uma oração e também as tarefas do nosso dia a dia. Não há uma norma ou regra da Igreja que obrigue o cristão a fazer este sinal em algum momento específico – exceto nos ritos litúrgico e sacramentais em que há os momentos propícios para se fazer o sinal da cruz –,porémé tão bom poder contar com a presença da Santíssima Trindade nos mais diversos momentos do nosso dia.

O Catecismo da Igreja Católica diz que, “quando o cristão começa seu dia, suas orações e suas ações com o sinal da cruz – ‘Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém’, ele dedica a jornada à glória de Deus e invoca a graça do Salvador, que lhe possibilita agir no Espírito como filho do Pai. O sinal da cruz nos fortifica nas tentações e nas dificuldades”. (Catecismo, n. 2157).

São Cirilo de Jerusalémnos aconselha: “Não nos envergonhemos de professar o Crucificado, selemos confiadamente a testa com os dedos, façamos o sinal da cruz, sobretudo sobre o pão, a comida e os copos de que bebemos! Façamo-lo quando vamos e quando vimos, antes de dormir, ao deitarmo-nos e ao levantarmo-nos, quando andamos e descansamos! ”.

Sempre que traçamos o sinal da cruz sobre nós, afirmamos pelo menos três verdades fundamentais de nossa fé: Deus, que é Uno e Trino; a Encarnação de Jesus e Sua Morte na Cruz.

Quando dizemos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, neste momento professamos a fé na Santíssima Trindade. O sinal da cruz que fazemos, que começa na cabeça, depois desce para o estômago, logo em seguida eleva a mão para o ombro direito; depois, seguida também para o esquerdo, indica duas realidades. A primeira: quando fazemos o gesto, a começar na cabeça e descendo ao estômago, estamos declarando nossa fé na Encarnação de Jesus por meio do ventre de Maria Santíssima. Segunda: este mesmo sinal, se você observar, é feito em forma de cruz no nosso corpo, “assinala a marca de Cristo naquele que vai lhe pertencer e significa a graça da redenção que Cristo nos proporcionou por sua cruz”. (Catecismo, n.1235).

O primeiro gesto que fazemos ao traçar sobre nós o sinal da cruz é no sentido vertical nos remete a ligação de nós, pecadores, com os céus, com o divino, com Deus. O segundo gesto é traçado na horizontal, do lado direito para o esquerdo, que nos remete a nossa ligação com o próximo, nenhum de nós pode se declarar cristão se não estiver intimamente ligado com o próximo, se não sofre junto com suas dores e se não se alegra nas suas conquistas.

Que possamos, ao traçar osinal da cruzdar a este gesto todo o respeito e importância que seu significado tem. Que o façamos a cada dia com mais fé e devoção e que possamos ensinar as próximas gerações a grandiosidade e importância da realização deste gesto.

Encerro este texto em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, agradecida pela inspiração da Santíssima Trindade.

 

 

 

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